Adão
Pela quinta vez ele tenta escrever seu conto, e pela quinta vez arranca o papel da máquina.”Não consigo fazer nada durante o dia, com todo mundo em casa”.
E ele tem razão.Sua mulher de dez em dez minutos aparece com uma xícara de café.”Não que eu não goste de café, mas assim não dá”.
E novamente, coloca o papel na máquina e começa a escrever.
...Estou meio zonzo. O corpo não responde direito.Sinto como que envolto em uma neblina espessa.Minha cabeça dói.As minhas mãos estão cheias de vermes.Ai, que frio!Parece que mil olhos estão a me vigiar.Tenho que me esconder, mas não sei onde. E minha cabeça dói tanto.De repente aparece alguém que eu não conheço.De longe lembra uma mulher, mas com cabeça de macaco.E ela traz nas mãos alguma coisa, e quer me ferir.Grita coisas em uma língua que eu não entendo.Tenho medo.E gesticula e abre uma boca descomunal, falando e cuspindo.E minha cabeça dói.Ela chega mais perto para me bater. Eu me defendo com algo que peguei, com minhas mãos cheias de vermes.Acho que consegui, por que ela parou e se deitou no chão.Tento também me deitar, mas sinto que pregos furam minha carne e, então me sento.Meu estomago se incha e vomito um coelho.Fico olhando para o teto que está mole e os quadros escorrem pela parede.A mesa e as cadeiras fogem de mim.Sento-me num canto, escondido, onde estou seguro, vendo as cores se fundirem.Sentindo a minha cabeça doer e os vermes comerem a minha carne.
Depois de tanta insistência dos vizinhos, a polícia chega.Arromba a porta.Mas não se pode fazer mais nada.Em um canto da cozinha, sentado no chão, completamente nu e coberto de sangue, um rapaz com um olhar estático, mirava o teto.No chão, ao seu lado uma mulher morta, com varias perfurações pelo corpo.”Ele matou a própria mãe!”Ouviu-se no meio da multidão que se formou...Toc, toc, toc.O que você quer, mulher? Vim trazer um cafezinho.Os nós dos seus dedos não doem, de tanto bater na porta?Não!
Então, irritado com a resposta e com o texto ruim, ele se levanta e sai.Sua mulher não entende, quando ele volta com um balde e sabão.
-O quê você vai fazer com isso?
-Vou lavar o carro.
Este conto conta a estória de um escritor que não conseguia mais ecrever. Espero que gostem. (Adão)
terça-feira, novembro 28, 2006
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Em que pé estamos
Estamos com os dois pés enterrados num campo semeado de palavras. Teve gente que tirou seus pés para descansar, outros para desbravar novos campos... mas ainda estamos juntos, descobrindo nas palavras outros universos. Decidimos ficar mais próximos dos textos e menos da teoria, eles dão mais ânimo de escrita. Quando passar a nuvem preta que se instalou sobre minha cabeça, prometo que volto a falar de Gérard Genette e outros.
Estamos todos os sábados no mesmo galpão, que aliás será em breve inaugurado como espaço cultural. Saudações meu querido amigo Andrey! Ali fazemos divertidas experiências de escrita, algumas surrealistas, outras inovadoras e repentinas, outras lúdicas e infantis, algumas criadas outras herdadas. Enfim, a paixão pela Literatura é a grande responsável por essas loucuras. Agora é com você! Escolha um de nossos contos e abra os olhos para a sua IMAGINAÇÃO.
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