"Tão horrível, aquele menininho, lembra?"
Há tempos aquele senhor não retorna ao restaurante, dizem que sua clausula iniciou-se após a morte daquele menino, menino forte e saudavel, mas que não resistiu aos riscos da rua; foi encontrado morto ao pé de uma marquize numa noite gelada e crua.
Em seu velório não havia café, nem biscoitos, flores apenas às do caixão, as únicas pessoas presentes eram os fúncionarios da morte e um velho de cabelos brancos e bigodes ralos pela espuma. O silêncio triste da noite foi quebrado pelo despertar do relògio, que anunciou a hora do enterro, hora em que dois homens levantaram o caixão e levaram-no ao mais belo tumúlo do cemitério, tornou-se ali o último lar daquele menino, lar sempre vistoso e florido, organizado e limpo pelo emprenho de um bondoso senhor de barbas brancas; a lápide de letras grandes e douradas tinha gravado os nomes de Caio Antônio Prado e "Indigente" Antônio Prado.
(Este exercício foi realizado hoje, 11-11-06. Fizemos uma votação para escolher o melhor final para o conto de Lygia. "Candidato eleito": Tharcisio.)
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