sábado, novembro 11, 2006

O menino e o velho (outra versao) para o conto de Lygia Fagundes Telles


"Tão horrível, aquele menininho, lembra?"
Há tempos aquele senhor não retorna ao restaurante, dizem que sua clausula iniciou-se após a morte daquele menino, menino forte e saudavel, mas que não resistiu aos riscos da rua; foi encontrado morto ao pé de uma marquize numa noite gelada e crua.
Em seu velório não havia café, nem biscoitos, flores apenas às do caixão, as únicas pessoas presentes eram os fúncionarios da morte e um velho de cabelos brancos e bigodes ralos pela espuma. O silêncio triste da noite foi quebrado pelo despertar do relògio, que anunciou a hora do enterro, hora em que dois homens levantaram o caixão e levaram-no ao mais belo tumúlo do cemitério, tornou-se ali o último lar daquele menino, lar sempre vistoso e florido, organizado e limpo pelo emprenho de um bondoso senhor de barbas brancas; a lápide de letras grandes e douradas tinha gravado os nomes de Caio Antônio Prado e "Indigente" Antônio Prado.

(Este exercício foi realizado hoje, 11-11-06. Fizemos uma votação para escolher o melhor final para o conto de Lygia. "Candidato eleito": Tharcisio.)

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Em que pé estamos

Estamos com os dois pés enterrados num campo semeado de palavras. Teve gente que tirou seus pés para descansar, outros para desbravar novos campos... mas ainda estamos juntos, descobrindo nas palavras outros universos. Decidimos ficar mais próximos dos textos e menos da teoria, eles dão mais ânimo de escrita. Quando passar a nuvem preta que se instalou sobre minha cabeça, prometo que volto a falar de Gérard Genette e outros. Estamos todos os sábados no mesmo galpão, que aliás será em breve inaugurado como espaço cultural. Saudações meu querido amigo Andrey! Ali fazemos divertidas experiências de escrita, algumas surrealistas, outras inovadoras e repentinas, outras lúdicas e infantis, algumas criadas outras herdadas. Enfim, a paixão pela Literatura é a grande responsável por essas loucuras. Agora é com você! Escolha um de nossos contos e abra os olhos para a sua IMAGINAÇÃO.